Anatomia do tronco - Licão 2 - 2º Semestre 2008 - Desenho II - EUAC

14-05-2008 20:23
 
 

 TÓRAX

O tórax é a parte do tronco que fica entre o pescoço e o abdómen. É uma estrutura, em forma de barril achatado, que inclui o esterno, os doze pares de costelas e as respectivas cartilagens costais, e as doze vértebras dorsais ou torácicas. Protege os pulmões, o coração e todas as vísceras existentes entre o pescoço e o abdómen.

 

 COSTELAS

Os sete pares superiores de costelas (costelas verdadeiras) estão ligados à frente com o esterno e atrás às correspondentes vértebras dorsais.

Os três pares seguintes de costelas (falsas costelas) estão ligados à frente por meio de cartilagens flexíveis e atrás às correspondentes vértebras dorsais. 

Os dois pares de costelas inferiores não estão ligados ao esterno e têm o nome de costelas flutuantes.

 

ESTERNO

O esterno possui três partes: o manúbrio, o corpo e o apêndice xifoideu.

O manúbrio é a porção superior mais volumosa com um bordo superior espesso. As extremidades internas das clavículas articulam com este osso através das articulações esterno-claviculares. 

O corpo do esterno é composto por quatro núcleos de desenvolvimento ósseo que se fundem no adulto. As linhas horizontais resultantes destas fusões são frequentemente visíveis, especialmente nas pessoas magras. A zona de junção entre o manúbrio e o corpo do esterno é proeminente, constituindo-se um ângulo chamado ângulo esternal, muito notório em certas pessoas. 

O apêndice xifoideu é uma pequena estrutura terminal que constitui a ponta inferior do esterno, por vezes saliente entre os músculos aí existentes. 

O esterno constitui um suporte firme mas móvel para os dez pares superiores de costelas. Os grandes peitorais, músculos que unem o tórax ao úmero, estão também parcialmente a ele ligados por uma ampla inserção.

A transição inferior e anterior do tórax para o abdómen constitui o arco costal importante estrutura para a representação da figura humana. Quando os músculos abdominais se contraem a referida orla ou arco costal fica perfeitamente nítida. Esta orla «livre» pode sentir-se com a ponta dos dedos a partir da área do apêndice xifóide, na linha média, e continuando para baixo e para fora. 

O comprimento das costelas aumenta da primeira até à sétima, sendo esta última a mais longa. O maior diâmetro da caixa torácica situa-se ao nível da oitava costela. As costelas constituem saliências que percorrem o perímetro torácico e estão inclinadas para a frente e para baixo a partir das suas articulações vertebrais. Os arcos costais e as cartilagens costais descrevem um trajecto inclinado para a frente e para cima. A extremidade vertebral da costela articula com os corpos de duas vértebras e com uma apófise transversa, possibilitando o movimento da costela no dorso.

Todas as costelas estão ligadas entre si pelos músculos intercostais que preenchem os espaços entre as costelas. São músculos da respiração.

À nascença as costelas são horizontais e, no caso do bebé e da criança pequena a caixa torácica é quase circular. Por volta do sétimo ano de idade o tórax começa a adquirir um achatamento antero-posterior e no adulto a caixa torácica toma a configuração de um rim. As costelas apresentam um trajecto mais circular na mulher do que no homem.

Deve-se ter em conta as mudanças subtis de plano da caixa torácica, pois é através da sua interpretação que se torna possível expressar o volume desta parte dominante do tronco. Existe uma grande variedade de tamanhos e configurações das diversas caixas torácicas, mas em todas elas o manúbrio, o apêndice xifoide e os arcos costais são marcos figurativos importantes a partir dos quais se pode representar, de forma proporcionada, o tronco humano.

 

 

MÚSCULOS DA FACE ANTERIOR DO TÓRAX

 

GRANDE PEITORAL

O grande peitoral é um amplo músculo em forma de leque que domina a face anterior do tórax. 

Possui ampla área insercional distal na clavícula, esterno e costelas. A inserção clavicular ocupa aproximadamente a metade interna da face anterior da clavícula. A inserção esternal verifica-se na face anterior da articulação esterno-clavicular e do esterno. A inserção costal acontece na face anterior da quinta e sexta cartilagens costais. 

O músculo termina proximalmente no bordo externo da goteira bicipital do úmero. 

Quando o peitoral se contrai o úmero aproxima-se do tórax. Assim, a sua principal acção é a de adução do braço (aproximação da linha média do corpo).

A inserção umeral do peitoral tem uma configuração especial, entrançada quando o úmero está caído e encostado ao tórax. Quando o braço está levantado o peitoral desentrança-se e o seu bordo inferior pode facilmente ser agarrado com a mão. É ele que forma a parede anterior da cavidade axilar que é sempre visível. 

 

PEQUENO PEITORAL

O pequeno peitoral tem a sua origem na terceira, quarta e quinta costelas e insere-se junto à extremidade da apófise coracóide. Situa-se por baixo do grande peitoral e não é uma forma superficial, embora seja importante no movimento porque ajuda a puxar a omoplata para a frente em torno da parede torácica.

 

MÚSCULOS DA FACE POSTERIOR DO TRONCO

 

TRAPÉZIO

O trapézio é um músculo posterior do tronco, com a forma de losango, que cobre a parte de cima da omoplata, a parte de trás do pescoço e a zona inter-escapular (interna e posterior do tórax). Insere-se proximalmente no terço interno da linha occipital superior (na parte de trás do crânio), no ligamento da nuca e nas apófises espinhosas das vértebras torácicas. Os seus feixes musculares orientam-se segundo três direcções distintas. Os de cima estão dispostos obliquamente para baixo e para fora e inserem-se distalmente no terço externo da clavícula. Os do meio orientam-se quase horizontalmente, indo inserir-se distalmente no bordo superior da espinha da omoplata e na porção interna do acrómio. Os feixes musculares inferiores dispõem-se em sentido ascendente e vão inserir-se no bordo inferior da espinha da omoplata por meio de uma aponevrose. 

O trapézio suspende a cintura escapular e eleva-a quando se transportan um peso na mão. Em muitos movimentos complexos da omoplata, quando os feixes inferiores estão distendidos os feixes superiores são contraídos e vice-versa. Em tais situações as duas partes do mesmo músculo podem ter acções completamente opostas.

GRANDE DORSAL

O grande dorsal tem a forma de “écharpe” e insere-se no tronco através de uma vasta origem aponevrótica que se estende desde a sétima vértebra torácica (por baixo do trapézio) e as apófises espinhosas das vértebras lombares e sagradas, até ao rebordo externo da crista ilíaca. Também tem origem nas três costelas inferiores. Esta ampla faixa insercional converge para cima, dando uma meia volta ao tronco postero-inferior e indo inserir-se no lábio interno da goteira bicipital do úmero. Tal como no caso do grande peitoral, existe uma espécie de enrolamento das suas fibras musculares, sendo os feixes musculares com origem distal mais inferior que têm inserção proximal mais acima. Este músculo é o principal responsável pela massa muscular da parede posterior da axila. A sua espessa orla enrolada é sempre visível na zona em que os músculos deixam a área do tronco em direcção ao braço.  

O grande dorsal participa em todos os movimentos em que o braço é puxado para trás. Faz rodar o úmero para a frente na respectiva cavidade articular e aproxima o braço do corpo. Quando se está suspenso pelas mãos, o grande dorsal é o principal músculo que permite erguer o tronco. O ângulo inferior da omoplata fica contido sob o grande dorsal e é controlado pela contracção deste músculo que aproxima o ângulo inferior da omoplata do plano da caixa torácica. 

 

GRANDE DENTADO

O grande dentado é uma lâmina muscular achatada, com digitações separadas, situada entre a superfície anterior (ventral) da omoplata e a caixa torácica. A sua origem (inserção distal) realiza-se por meio de inserções carnudas em forma de dedos (cada digitação inserida em cada uma das oito ou nove costelas superiores), constituindo os pontos de fixação do músculo no tórax. O grande dentado termina numa inserção proximal ao longo da face anterior do bordo vertebral da omoplata. As digitações das cinco costelas inferiores convergem para a face anterior do ângulo inferior da omoplata e são de maior interesse para o artista, na medida em que se vêem frequentemente. Têm a aparência de pequenos dedos esticados e abertos, dispondo-se num ângulo ligeiramente diferente do das costelas, e terminam onde se iniciam as digitações insercionais dos músculos abdominais.

O grande dentado é o principal músculo responsável por acções como empurrar e socar e é um importante estabilizador da omoplata no levantamento do braço acima da cabeça. Quando este músculo se contrai, a omoplata, é impelida para diante deslizando de forma estável em torno da caixa torácica. 

 

 

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